Aqui entra primariamente a educação, que venho comentando
sem conseguir esgotar, assunto inexaurível na vida privada de todo cidadão e na
existência geral de um povo. É preciso ter em mente que, para os líderes, sejam
quais forem, esse deve ser um interesse primordial em sua atividade.
A mim me preocupa a redução do nível de formação e
informação que nos oferecem. Escrevi muito sobre as cotas, com que, em lugar de
melhorar a educação pela base, subindo o nível do precário ensino elementar, se
reduz o nível do ensino superior, para que se adapte aos que lá entram mais por
cota do que por mérito e preparo, em lugar de ser, como deveria, o inverso.
Com isso, nosso ensino superior, já tão carente e ruim, com
algumas gloriosas exceções, piora ainda mais. Vejam-se os dados assustadores de
reprovação, no exame da Ordem dos Advogados do Brasil, de candidatos saídos dos
nossos cursos de direito.
Os exames de igual caráter para egressos de cursos de
medicina ainda não apresentam resultado tão incrivelmente ruim, mas começam a
nos deixar alertas pois esses médicos vão lidar com o nosso corpo, a nossa
vida.
Estudantes de letras frequentemente nem sabem ortografia, e
mais: não conseguem se expressar por escrito, não têm pensamento claro e
seguro, não foram habituados, desde cedo, a argumentar, a pensar, a analisar, a
discernir, a ler e a escrever.
Agora, pelo que leio, parece que vão conseguir piorar ainda
mais a situação, pois a meninada só precisa se alfabetizar no fim do 3º ano da
escola elementar. Pergunto: o que estarão fazendo nos primeiros dois anos de
escola? Brincando? Gazeteando? A escola vai fingir que está ensinando,
preparando para a vida e a profissão? E os pais que se interessam, o que podem
esperar de tal ensino?
Aos 8 anos, meninos e meninas já deveriam estar escrevendo
direito e lendo bastante — claro que em escolas públicas de qualquer ponto do
país onde os governos tivessem colocado professores bem pagos, seguros e com
boa autoestima em escolas nas quais cada sala de aula tenha uma prateleira com
livros doados pelos respectivos governos, municipal, estadual ou federal,
interessados na formação do seu povo.
Qualquer coisa diferente disso é ilusão pura. Não resolve
enviar centenas de jovens ao exterior ou trazer estudantes estrangeiros para
cá, se a base primeira do ensino é ruim como a nossa, pois não adianta um
telhado de luxo sobre paredes rachadas em casas construídas sobre areia
movediça.
Como não adianta dar comida a quem precisaria logo a seguir
de estudo e trabalho que proporcionasse crescimento real, projetos e horizontes
em lugar da dependência de meninos que não conseguem largar o peito materno
mesmo passada a idade adequada.
O que vai acontecer? Com certeza vai se abrir e aprofundar
mais o fosso entre alunos saídos de escolas particulares que ainda consigam
manter um nível e objetivo de excelência e a imensa maioria daqueles saídos de
escolas públicas ou mesmo privadas em que o rebaixamento de nível se instalar.
Grandes e pequenas empresas e indústrias carecem de mão de
obra especializada e boa, milhares de vagas oferecidas não são preenchidas
porque não há mão de obra preparada: imaginem se a alfabetização for concluída
no fim do 3o ano elementar, quando os alunos tiverem já 8 anos, talvez mais,
quando e como serão preparados?
Com que idade estarão prontos para um mercado de trabalho
cada vez mais exigente? Ou a exigência também vai cair e teremos mais edifícios
e outras obras mal construídos, serviços deixando a desejar, nossa excelência
cada vez mais reduzida?
Não sei se somos um povo cordial: receio que sejamos
desinteressados, mal orientados e conformados, achando que é só isso que
merecemos. Ou nem pensando no assunto.
LYA LUFT
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